quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Bom Dia Brasil - 31/12/2008
Programa ambiental da Inglaterra estimula carro elétrico
São carros elétricos, energia eólica e aproveitamento da água da chuva. Investimentos em tecnologia para um mundo mais limpo crescem ano após ano.
O que muda na economia em 2009 segundo Miriam Leitão
Câmbio, emprego, juros e preços: a colunista diz o que esperar da economia no ano que vem.
Oposição quer derrubar MP para Fundo Soberano
Aprovado pelo Congresso, o fundo é uma espécie de poupança para assegurar investimentos em tempos de crise.
Fim de ano muda rotina da maior cidade do Brasil
Ritmo de São Paulo já não é tão frenético, e o trânsito não tão intenso. A cidade ganha novos ares e fica completamente diferente.
Duas mil pessoas homenageiam Iemanjá nas areias de Copacabana
A areia da Praia de Copacabana se transformou em um grande terreiro. Foram demonstrações de fé e de esperança.
Um turista israelense disse estar emocionado. Segundo ele, é fabuloso ver todos felizes. É algo impressionante.
A festa é realizada há seis anos. Tudo começou depois de um incêndio, que destruiu o Mercadão de Madureira, no Rio - um dos maiores pontos de venda de artigos religiosos do país. Os comerciantes conseguiram recuperar os prejuízos e homenageiam a Iemanjá em sinal de agradecimento.
Os preparativos começaram em frente ao Mercadão, no subúrbio, a 30 quilômetros do mar. “É vibração pura. É pura energia”, afirma um dos participantes.
Praticantes da umbanda e do candomblé percorreram os corredores e recolheram os presentes preparados pelos comerciantes.
Foi difícil conter as lágrimas diante da imagem do orixá. “É a fé da gente que faz com que a gente acredite que tudo vai dar certo no ano que se inicia”, diz emocionada a cozinheira Lilian dos Santos.
As oferendas foram levadas até a praia em um caminhão, seguido por uma carreata.
Em Copacabana, a água de cheiro é usada para purificar o caminho. O ritual se completa na água com as oferendas à rainha do mar.
“É uma confraternização. É uma conscientização”, afirma a professora Luanda Oliveira. “A gente pede paz que é o que mais se precisa no mundo”, diz a auxiliar de serviços gerais Alba Valéria.
Cada vez mais mulheres encaram o trânsito de moto
Nas estradas, o que está na moda não é o branco do réveillon. Para onde se olha, só se vê uma cor: o rosa dos capacetes.
Casal e a filha morrem a tiros por bandido encapuzado no Rio
É mais um caso de crime bárbaro no Rio de Janeiro. De acordo com a polícia, a milícia pode estar envolvida no crime.
Para proteger sua casa de assaltos conte com ajuda de vizinhos
Antes das férias, há muitas tarefas, mas sempre se pode contar com ajuda para não passar aperto, ainda mais quando o assunto é a segurança da própria casa.
Israel declara guerra total e aberta contra Hamas
Pelo quarto dia, a Gaza é bombardeada com ataques aéreos. O número de mortos não pára de subir. Palestinos sofrem com carência de remédios, alimentos e socorro médico.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
A última do português
A partir de 1º de janeiro, os brasileiros passam a escrever diferente: caem o trema e alguns acentos, mudam as regras do hífen – e instalam-se as dúvidas.
O novo acordo ortográfico, enfim, é uma dessas decisões sobre as quais não parece haver acordo.
Agora, como se diz, Inês é morta. A partir deste 1º de janeiro, quando no Brasil começa a vigorar o novo acordo ortográfico firmado entre os países de língua portuguesa, as idéias perderão um pouquinho de altura e virarão ideias; já os vôos, livres do circunflexo e transformados em voos, ganharão teto; o anti-semitismo não terá mais o hífen, passando a ser antissemitismo, mas não perderá sua feiúra – que, no primeiro dia de 2009, amanhecerá simplesmente feiura. Para os que foram alfabetizados já dentro das normas da última reforma ortográfica, a de 1971, o ano vai começar repleto não apenas das resoluções habituais, como também de dúvidas. Para os que aprenderam a escrever entre a reforma de 1943 e a de 1971 e ainda acham estranho escrever ele sem um bom circunflexo no e tônico, os problemas se multiplicam. E, para aqueles que estudaram em cartilhas ainda mais antigas, com seus prohibidos e collocar, as esperanças de reformar a própria ortografia são mínimas.
Cozido em fogo brando desde 1986, esquecido e então requentado, o acordo que pretende unificar a maneira como os cidadãos lusófonos do mundo grafam seu idioma é uma dessas decisões sobre as quais, ironicamente, quase nenhum acordo é possível. Uma das raras concordâncias dos gramáticos: o aprendizado da ortografia está estreitamente ligado à memória visual e manual. A mão "puxa" a palavra, em um processo de assimilação que começa no primeiro banco de escola. Driblar essa memória da mão é árduo. Um segundo ponto de consenso: o acordo não está em um estágio ótimo de maturação. E aí começam as divergências. Para alguns estudiosos, ele não é nem sequer bom; para outros, é bom o suficiente. "E bom, depois de mais de 100 anos tentando colocar o português nos trilhos do bom senso, já está de bom tamanho", diz Evanildo Bechara, titular da área de lexicografia e lexicologia da Academia Brasileira de Letras e decano dos gramáticos brasileiros, que liderou a etapa final de negociação do acordo.
O novo acordo não reforma a língua portuguesa. Essa continua a mesma, sujeita às evoluções naturais de todas as línguas e ampla o bastante para abarcar as diferentes maneiras como é usada nos oito países em que é idioma oficial (veja o mapa abaixo). O que o acordo tenta atender é a aspiração – acadêmica, sobretudo – a uma grafia única, em que as diferenças sejam reduzidas ao mínimo. No português, essas diferenças incidem nos aspectos que merecem a classificação de "fatos da língua", e não de "fatos da ortografia". Um exemplo: polêmica e polémica têm e manterão grafia diversa no Brasil e em Portugal porque são pronunciadas de forma diversa. Deste lado do Atlântico, consagramos pelo uso o e fechado. Já os lusófonos originais preferem o e aberto. Por isso também os portugueses continuam a reflectir, enquanto aqui refletimos, se o acordo é acessível. Eles emitem o som daquele c a mais; nós, não. Esses são "fatos da língua", que ninguém pretende reformar. O que o acordo quer eliminar são os sinais que – supostamente – nada mais exprimem. Como o circunflexo que deixará de existir em enjoo ou o acento agudo de heroico, abandonados por Portugal desde 1945. Na mão inversa, os portugueses deixarão de escrever adoptar e colecção, passando a adotar e coleção, porque na verdade não pronunciam aquele p e aquele c. "Não os pronunciamos, assim como o c de actor ou o p de cepticismo, mas eles carregam informação fonética, já que ‘forçam’ a tônica da palavra", argumenta o jornalista e escritor português João Pereira Coutinho, autor de uma excelente coluna na Folha de S.Paulo.
Coutinho, que em seus textos para o jornal usa as versões brasileiras de vocábulos (como fumante em vez de fumador), acha que o acordo é um "brutalíssimo erro" – de natureza científica, por sua visão concentradora da língua, de natureza política, já que os países africanos mal foram consultados na sua elaboração, e também de ordem filosófica, porque procura aniquilar as diferentes músicas, por assim dizer, que se ouvem ao ler textos em grafias diversas da nativa. Ele resume, assim, as críticas disparadas pelos detratores do acordo. Mas outros aspectos pesam na discussão. Há, por exemplo, as visões diversas sobre a natureza da ortografia. Alguns gramáticos de peso postulam que, como tudo o mais num idioma, também ela deve mudar ou não segundo os ditames do uso, sem interferência de academias; outros gramáticos, igualmente de peso, crêem (ou, a partir de janeiro, creem) que não existe razão para o português abranger duas grafias oficiais quando idiomas mais difundidos, como o espanhol, com seus 400 milhões de usuários e 22 academias de letras, só precisam de uma. O grosso das objeções, contudo, se dirige aos termos específicos do presente acordo.
O texto capitaneado durante parte das décadas de 80 e 90 pelos acadêmicos Antônio Houaiss (daqui) e João Malaca Casteleiro (de lá) contém vários pontos facultativos, muitas imprecisões e grande quantidade de etecéteras. Importante: esse texto não foi revisto. Ele foi assinado, na forma redigida lá atrás, em 29 de setembro último. E, do jeito que está, abre espaço para interpretações subjetivas e para a continuidade de diferenças em "fatos de ortografia" entre Portugal, Brasil e os outros signatários. "Portugal e Brasil são como dois navios singrando paralelos, que se acenam a uma distância de 20 metros. Quando o acordo entrar em vigor, a distância será reduzida em 3 metros, que não valem o imenso custo da reforma", opina Cláudio Moreno, doutor em letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Esse custo é tanto social como financeiro. A partir de 2010, os ministérios da Educação e da Cultura só autorizarão a compra de livros que sigam a nova ortografia. Em tempo, todas as bibliotecas escolares do país terão de ser renovadas, ainda que seu conteúdo não se tenha tornado superado. E todos os dicionários terão de ser reeditados (estima-se que apenas o Ministério da Educação encomendará 8 milhões de exemplares nos próximos anos). Uma parte significativa desse movimento editorial será custeada pelo contribuinte. Ninguém definiu, ainda, como os milhares de professores do país serão treinados – nem como garantir que o contingente de despreparados para a função (que é grande, imenso) não se acrescente à confusão de alunos que mal e mal conseguem escrever um bilhete. "Estamos fazendo a reforma no susto", critica o professor Pasquale Cipro Neto, um dos mais dedicados gramáticos do Brasil.
Cipro Neto conta uma história divertida. Num vagão de trem, em Portugal, sentou-se à frente dele uma senhora que lia um tablóide policial intitulado O Crime. O professor leu e releu as manchetes – e não entendeu metade delas. Não por razões remotamente relacionadas à ortografia, claro, mas pelas expressões que, num texto de cunho popular, tornam o português lusitano quase estrangeiro para um brasileiro – o que faz pensar na blague do escritor Oscar Wilde segundo a qual americanos e ingleses eram povos separados por uma mesma língua. Ora, o princípio que norteia o acordo ortográfico é o de facilitar o trâmite do português no mundo. Mas as diferenças de grafia na norma culta da língua são mínimas e não interferem na sua compreensão. As dos textos educativos e literários provenientes das diferentes nações lusófonas podem ser lidas e compreendidas em qualquer rincão do mundo em que se fale o português. Muitos dos escritores de Portugal vetam qualquer alteração ortográfica ou de vocabulário nas edições brasileiras de seu texto, e não consta que tenham perdido um só leitor por esse motivo. Já as diferenças culturais e de uso da língua entre os signatários do acordo são, conforme o caso, impenetráveis, como constatou Cipro Neto em sua inspeção de O Crime. Elas é que tornam tão rica a experiência de um idioma compartilhado por várias nações. E são elas que, na prática, impedirão, por exemplo, a difusão de material didático brasileiro em países lusófonos da África, como chegaram a sonhar as editoras.
Na maioria das línguas, a ortografia evoluiu e se consolidou no decorrer de séculos, obedecendo a uma necessidade de ordem numérica: quanto maior o número de "usuários" regulares da linguagem escrita, maior também a necessidade de que se chegasse a formas consensuais para grafá-la. A ortografia inglesa terminou por cristalizar-se numa forma muito próxima da atual com a explosão do mercado editorial no século XIX. Nunca houvera tanta gente escrevendo, publicando e lendo – e assim sedimentando regras. A ortografia dos idiomas, assim, tem uma infância, uma juventude e uma maturidade. Quando Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal anunciando a descoberta do Brasil, em 1500 (veja o quadro), a grafia do português estava na sua infância. As poucas pessoas alfabetizadas do período escreviam conforme ouviam, em grafias díspares, quase pessoais, e aproximadas da que era então a língua do saber – o latim. Como na maioria dos idiomas, também os grandes escritores tiveram papel preponderante na fixação da ortografia portuguesa. Até hoje escrevemos Cingapura com c, e não com s, como nas outras línguas de origem européia, porque Luís de Camões (1524-1580), o fundador da literatura em língua portuguesa com a epopéia Os Lusíadas, assim grafou a palavra. Na virada do século XIX para o XX, a ortografia portuguesa estava já transitando da juventude para a idade adulta: lendo-se as edições originais de autores como Eça de Queiroz e Machado de Assis podem-se contar uns tantos circunflexos e consoantes dobradas, mais uns phs e chrs, que caíram em desuso – mas nada que faça o leitor tropeçar nas linhas, como na hoje quase indecifrável carta de Caminha.
Segundo explica Mauro Villar, filólogo do Instituto Houaiss e defensor do novo acordo, o passo decisivo para a maturidade foi dado pelo foneticista português Gonçalves Viana, que em 1904 publicou o livro Ortografia Nacional, de importância incalculável na análise das tendências fonéticas do idioma e das notações que melhor as traduzem. Em 1911, Portugal adotou a ortografia de Viana como a oficial, no que foi seguido depois pelo Brasil. Na década de 40, contudo, os dois países tomaram caminhos diversos. Em 1943, por decisão do presidente Getúlio Vargas, fez-se uma reforma que eliminou inconsistências e unificou internamente a ortografia. Em 1945, Portugal propôs uma outra reforma – a que eliminou o trema e outros acentos que agora vão cair aqui. O Brasil chegou a assiná-la, mas recuou. Daí a existência de duas ortografias oficiais para o português.
Pelos termos do acordo promulgado em setembro deste ano, os brasileiros terão quatro anos para se adequar às novas regras, e os portugueses, seis. Na opinião de Pasquale Cipro Neto, uma vez que os grandes jornais e revistas do país (inclusive VEJA e todas as outras publicações da Editora Abril) passarão a escrever pela nova ortografia a partir deste 1º de janeiro, a reforma logo deve ganhar contorno de fato consumado. A hifenização, que um amigo do acadêmico Evanildo Bechara certa feita chamou "infernização", deverá ser a maior dificuldade. As regras antigas eram difíceis, e as novas continuam a sê-lo. "Ninguém sabia usar o hífen, e todos permanecerão sem sabê-lo", diz Cipro Neto. Manual, só no fim de fevereiro. Esse é o prazo dado pela editora Global para colocar na praça o Vocabulário Ortográfico oficial, uma "bula" com 360.000 palavras cujos originais Bechara e seus colaboradores entregaram na semana passada. Tudo resolvido? Nem tanto. No que depender do próprio Bechara, um cavalheiro cujo conhecimento da língua só é comparável à sensatez, o Vocabulário Ortográfico talvez venha a precisar de uma edição revista ao fim dos quatro anos de adaptação. "Poderíamos imaginar uma regra pela qual só se usaria hífen se, ao juntar dois termos, a pronúncia saísse errada. Um exemplo é o de ‘sub-região’. Sem hífen, o desavisado poderia ler ‘su-bregião’. Se, com a junção, a pronúncia não mudar, nada de hífen", especula o estudioso. Seria mesmo lindo, e fácil, e coerente. Mas vai acontecer? "Ora, tenham um pouco de fé no bom senso dos acadêmicos daqui e de lá." E o bom senso, enfatize-se, nunca precisou de hífen para ser bom.

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O novo acordo ortográfico, enfim, é uma dessas decisões sobre as quais não parece haver acordo.
LÍNGUA TEM DONO?
O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo: os defensores do acordo dizem que, se o espanhol tem uma grafia única, nós também podemos tê-la; os seus críticos afirmam que as regras não são boas e que unificar nem é desejável.Agora, como se diz, Inês é morta. A partir deste 1º de janeiro, quando no Brasil começa a vigorar o novo acordo ortográfico firmado entre os países de língua portuguesa, as idéias perderão um pouquinho de altura e virarão ideias; já os vôos, livres do circunflexo e transformados em voos, ganharão teto; o anti-semitismo não terá mais o hífen, passando a ser antissemitismo, mas não perderá sua feiúra – que, no primeiro dia de 2009, amanhecerá simplesmente feiura. Para os que foram alfabetizados já dentro das normas da última reforma ortográfica, a de 1971, o ano vai começar repleto não apenas das resoluções habituais, como também de dúvidas. Para os que aprenderam a escrever entre a reforma de 1943 e a de 1971 e ainda acham estranho escrever ele sem um bom circunflexo no e tônico, os problemas se multiplicam. E, para aqueles que estudaram em cartilhas ainda mais antigas, com seus prohibidos e collocar, as esperanças de reformar a própria ortografia são mínimas.
Cozido em fogo brando desde 1986, esquecido e então requentado, o acordo que pretende unificar a maneira como os cidadãos lusófonos do mundo grafam seu idioma é uma dessas decisões sobre as quais, ironicamente, quase nenhum acordo é possível. Uma das raras concordâncias dos gramáticos: o aprendizado da ortografia está estreitamente ligado à memória visual e manual. A mão "puxa" a palavra, em um processo de assimilação que começa no primeiro banco de escola. Driblar essa memória da mão é árduo. Um segundo ponto de consenso: o acordo não está em um estágio ótimo de maturação. E aí começam as divergências. Para alguns estudiosos, ele não é nem sequer bom; para outros, é bom o suficiente. "E bom, depois de mais de 100 anos tentando colocar o português nos trilhos do bom senso, já está de bom tamanho", diz Evanildo Bechara, titular da área de lexicografia e lexicologia da Academia Brasileira de Letras e decano dos gramáticos brasileiros, que liderou a etapa final de negociação do acordo.
O novo acordo não reforma a língua portuguesa. Essa continua a mesma, sujeita às evoluções naturais de todas as línguas e ampla o bastante para abarcar as diferentes maneiras como é usada nos oito países em que é idioma oficial (veja o mapa abaixo). O que o acordo tenta atender é a aspiração – acadêmica, sobretudo – a uma grafia única, em que as diferenças sejam reduzidas ao mínimo. No português, essas diferenças incidem nos aspectos que merecem a classificação de "fatos da língua", e não de "fatos da ortografia". Um exemplo: polêmica e polémica têm e manterão grafia diversa no Brasil e em Portugal porque são pronunciadas de forma diversa. Deste lado do Atlântico, consagramos pelo uso o e fechado. Já os lusófonos originais preferem o e aberto. Por isso também os portugueses continuam a reflectir, enquanto aqui refletimos, se o acordo é acessível. Eles emitem o som daquele c a mais; nós, não. Esses são "fatos da língua", que ninguém pretende reformar. O que o acordo quer eliminar são os sinais que – supostamente – nada mais exprimem. Como o circunflexo que deixará de existir em enjoo ou o acento agudo de heroico, abandonados por Portugal desde 1945. Na mão inversa, os portugueses deixarão de escrever adoptar e colecção, passando a adotar e coleção, porque na verdade não pronunciam aquele p e aquele c. "Não os pronunciamos, assim como o c de actor ou o p de cepticismo, mas eles carregam informação fonética, já que ‘forçam’ a tônica da palavra", argumenta o jornalista e escritor português João Pereira Coutinho, autor de uma excelente coluna na Folha de S.Paulo.
Coutinho, que em seus textos para o jornal usa as versões brasileiras de vocábulos (como fumante em vez de fumador), acha que o acordo é um "brutalíssimo erro" – de natureza científica, por sua visão concentradora da língua, de natureza política, já que os países africanos mal foram consultados na sua elaboração, e também de ordem filosófica, porque procura aniquilar as diferentes músicas, por assim dizer, que se ouvem ao ler textos em grafias diversas da nativa. Ele resume, assim, as críticas disparadas pelos detratores do acordo. Mas outros aspectos pesam na discussão. Há, por exemplo, as visões diversas sobre a natureza da ortografia. Alguns gramáticos de peso postulam que, como tudo o mais num idioma, também ela deve mudar ou não segundo os ditames do uso, sem interferência de academias; outros gramáticos, igualmente de peso, crêem (ou, a partir de janeiro, creem) que não existe razão para o português abranger duas grafias oficiais quando idiomas mais difundidos, como o espanhol, com seus 400 milhões de usuários e 22 academias de letras, só precisam de uma. O grosso das objeções, contudo, se dirige aos termos específicos do presente acordo.
O texto capitaneado durante parte das décadas de 80 e 90 pelos acadêmicos Antônio Houaiss (daqui) e João Malaca Casteleiro (de lá) contém vários pontos facultativos, muitas imprecisões e grande quantidade de etecéteras. Importante: esse texto não foi revisto. Ele foi assinado, na forma redigida lá atrás, em 29 de setembro último. E, do jeito que está, abre espaço para interpretações subjetivas e para a continuidade de diferenças em "fatos de ortografia" entre Portugal, Brasil e os outros signatários. "Portugal e Brasil são como dois navios singrando paralelos, que se acenam a uma distância de 20 metros. Quando o acordo entrar em vigor, a distância será reduzida em 3 metros, que não valem o imenso custo da reforma", opina Cláudio Moreno, doutor em letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Esse custo é tanto social como financeiro. A partir de 2010, os ministérios da Educação e da Cultura só autorizarão a compra de livros que sigam a nova ortografia. Em tempo, todas as bibliotecas escolares do país terão de ser renovadas, ainda que seu conteúdo não se tenha tornado superado. E todos os dicionários terão de ser reeditados (estima-se que apenas o Ministério da Educação encomendará 8 milhões de exemplares nos próximos anos). Uma parte significativa desse movimento editorial será custeada pelo contribuinte. Ninguém definiu, ainda, como os milhares de professores do país serão treinados – nem como garantir que o contingente de despreparados para a função (que é grande, imenso) não se acrescente à confusão de alunos que mal e mal conseguem escrever um bilhete. "Estamos fazendo a reforma no susto", critica o professor Pasquale Cipro Neto, um dos mais dedicados gramáticos do Brasil.
Cipro Neto conta uma história divertida. Num vagão de trem, em Portugal, sentou-se à frente dele uma senhora que lia um tablóide policial intitulado O Crime. O professor leu e releu as manchetes – e não entendeu metade delas. Não por razões remotamente relacionadas à ortografia, claro, mas pelas expressões que, num texto de cunho popular, tornam o português lusitano quase estrangeiro para um brasileiro – o que faz pensar na blague do escritor Oscar Wilde segundo a qual americanos e ingleses eram povos separados por uma mesma língua. Ora, o princípio que norteia o acordo ortográfico é o de facilitar o trâmite do português no mundo. Mas as diferenças de grafia na norma culta da língua são mínimas e não interferem na sua compreensão. As dos textos educativos e literários provenientes das diferentes nações lusófonas podem ser lidas e compreendidas em qualquer rincão do mundo em que se fale o português. Muitos dos escritores de Portugal vetam qualquer alteração ortográfica ou de vocabulário nas edições brasileiras de seu texto, e não consta que tenham perdido um só leitor por esse motivo. Já as diferenças culturais e de uso da língua entre os signatários do acordo são, conforme o caso, impenetráveis, como constatou Cipro Neto em sua inspeção de O Crime. Elas é que tornam tão rica a experiência de um idioma compartilhado por várias nações. E são elas que, na prática, impedirão, por exemplo, a difusão de material didático brasileiro em países lusófonos da África, como chegaram a sonhar as editoras.
Na maioria das línguas, a ortografia evoluiu e se consolidou no decorrer de séculos, obedecendo a uma necessidade de ordem numérica: quanto maior o número de "usuários" regulares da linguagem escrita, maior também a necessidade de que se chegasse a formas consensuais para grafá-la. A ortografia inglesa terminou por cristalizar-se numa forma muito próxima da atual com a explosão do mercado editorial no século XIX. Nunca houvera tanta gente escrevendo, publicando e lendo – e assim sedimentando regras. A ortografia dos idiomas, assim, tem uma infância, uma juventude e uma maturidade. Quando Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal anunciando a descoberta do Brasil, em 1500 (veja o quadro), a grafia do português estava na sua infância. As poucas pessoas alfabetizadas do período escreviam conforme ouviam, em grafias díspares, quase pessoais, e aproximadas da que era então a língua do saber – o latim. Como na maioria dos idiomas, também os grandes escritores tiveram papel preponderante na fixação da ortografia portuguesa. Até hoje escrevemos Cingapura com c, e não com s, como nas outras línguas de origem européia, porque Luís de Camões (1524-1580), o fundador da literatura em língua portuguesa com a epopéia Os Lusíadas, assim grafou a palavra. Na virada do século XIX para o XX, a ortografia portuguesa estava já transitando da juventude para a idade adulta: lendo-se as edições originais de autores como Eça de Queiroz e Machado de Assis podem-se contar uns tantos circunflexos e consoantes dobradas, mais uns phs e chrs, que caíram em desuso – mas nada que faça o leitor tropeçar nas linhas, como na hoje quase indecifrável carta de Caminha.
Segundo explica Mauro Villar, filólogo do Instituto Houaiss e defensor do novo acordo, o passo decisivo para a maturidade foi dado pelo foneticista português Gonçalves Viana, que em 1904 publicou o livro Ortografia Nacional, de importância incalculável na análise das tendências fonéticas do idioma e das notações que melhor as traduzem. Em 1911, Portugal adotou a ortografia de Viana como a oficial, no que foi seguido depois pelo Brasil. Na década de 40, contudo, os dois países tomaram caminhos diversos. Em 1943, por decisão do presidente Getúlio Vargas, fez-se uma reforma que eliminou inconsistências e unificou internamente a ortografia. Em 1945, Portugal propôs uma outra reforma – a que eliminou o trema e outros acentos que agora vão cair aqui. O Brasil chegou a assiná-la, mas recuou. Daí a existência de duas ortografias oficiais para o português.
Pelos termos do acordo promulgado em setembro deste ano, os brasileiros terão quatro anos para se adequar às novas regras, e os portugueses, seis. Na opinião de Pasquale Cipro Neto, uma vez que os grandes jornais e revistas do país (inclusive VEJA e todas as outras publicações da Editora Abril) passarão a escrever pela nova ortografia a partir deste 1º de janeiro, a reforma logo deve ganhar contorno de fato consumado. A hifenização, que um amigo do acadêmico Evanildo Bechara certa feita chamou "infernização", deverá ser a maior dificuldade. As regras antigas eram difíceis, e as novas continuam a sê-lo. "Ninguém sabia usar o hífen, e todos permanecerão sem sabê-lo", diz Cipro Neto. Manual, só no fim de fevereiro. Esse é o prazo dado pela editora Global para colocar na praça o Vocabulário Ortográfico oficial, uma "bula" com 360.000 palavras cujos originais Bechara e seus colaboradores entregaram na semana passada. Tudo resolvido? Nem tanto. No que depender do próprio Bechara, um cavalheiro cujo conhecimento da língua só é comparável à sensatez, o Vocabulário Ortográfico talvez venha a precisar de uma edição revista ao fim dos quatro anos de adaptação. "Poderíamos imaginar uma regra pela qual só se usaria hífen se, ao juntar dois termos, a pronúncia saísse errada. Um exemplo é o de ‘sub-região’. Sem hífen, o desavisado poderia ler ‘su-bregião’. Se, com a junção, a pronúncia não mudar, nada de hífen", especula o estudioso. Seria mesmo lindo, e fácil, e coerente. Mas vai acontecer? "Ora, tenham um pouco de fé no bom senso dos acadêmicos daqui e de lá." E o bom senso, enfatize-se, nunca precisou de hífen para ser bom.

E NO PRINCÍPIO...
A Primeira Missa realizada no Brasil, um dos eventos descritos por Pero Vaz de Caminha, na versão do pintor Victor Meirelles, e, à direita, Luís de Camões, fundador da literatura em língua portuguesa: a grafia de um idioma tem infância, juventude e maturidadeClique na imagem para ampliá-la
domingo, 28 de dezembro de 2008
Jornal Nacional - 27/12/2008
Liberada linha férrea interrompida por incêndio
Um milhão e trezentos mil litros de óleo diesel deixaram de ser transportados. Ainda não se sabe o que provocou o fogo.
Fundo soberano: oposição ameaça entrar na Justiça
A oposição reagiu à edição da medida provisória que altera a lei que criou a poupança para ser usada em momentos de dificuldade econômica, e classificou-a de manobra do governo.
CE: mutirão quer operar pacientes com catarata
Médicos querem beneficiar em um mês sete mil pessoas que estão na fila do SUS. A cirurgia dura apenas 15 minutos.
Raios do Sol incidem como um canhão sobre o MS
O fenômeno do sol a pino é sentido nesta época com mais intensidade nas cidades que ficam na latitude de 20º. A concentração dos raios ultravioleta é maior e aumenta o risco para a saúde.
Falcão escolhe Salvador para fugir do frio
O falcão peregrino deixa as regiões montanhosas do Canadá e do norte dos Estados Unidos, que ficam cobertas de gelo, e parte para regiões mais quentes em busca de caça.
Vírus virtuais infernizam a vida dos brasileiros
Uma pesquisa feita por uma das maiores fabricantes de programas de informática do mundo revelou que o número de computadores brasileiros infectados cresceu 92% em um ano.
Idosos estão aprendendo a usar a internet
Brasileiros da terceira idade estão dando os primeiros passos no mundo digital e descobrindo coisas novas
Ataque de Israel mata mais de 200 palestinos
O ataque foi com aviões F-16 de última geração. Eles dispararam algumas dezenas de mísseis contra a Faixa de Gaza. Líderes mundiais condenaram a ação israelense.
Polícia portuguesa investiga morte de brasileiro
O ator Douglas Barcellos, de 33 anos, foi morto numa praia em Cascais. Ele participava de uma filmagem em Portugal.
MT: índios protestam contra hidrelétricas
Eles atacaram usinas e paralisaram obras. Impasse permanece entre empresários, Ministério Público, Secretaria de Meio Ambiente e Funai.
Um milhão e trezentos mil litros de óleo diesel deixaram de ser transportados. Ainda não se sabe o que provocou o fogo.
Fundo soberano: oposição ameaça entrar na Justiça
A oposição reagiu à edição da medida provisória que altera a lei que criou a poupança para ser usada em momentos de dificuldade econômica, e classificou-a de manobra do governo.
CE: mutirão quer operar pacientes com catarata
Médicos querem beneficiar em um mês sete mil pessoas que estão na fila do SUS. A cirurgia dura apenas 15 minutos.
Raios do Sol incidem como um canhão sobre o MS
O fenômeno do sol a pino é sentido nesta época com mais intensidade nas cidades que ficam na latitude de 20º. A concentração dos raios ultravioleta é maior e aumenta o risco para a saúde.
Falcão escolhe Salvador para fugir do frio
O falcão peregrino deixa as regiões montanhosas do Canadá e do norte dos Estados Unidos, que ficam cobertas de gelo, e parte para regiões mais quentes em busca de caça.
Vírus virtuais infernizam a vida dos brasileiros
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Ataque de Israel mata mais de 200 palestinos
O ataque foi com aviões F-16 de última geração. Eles dispararam algumas dezenas de mísseis contra a Faixa de Gaza. Líderes mundiais condenaram a ação israelense.
Polícia portuguesa investiga morte de brasileiro
O ator Douglas Barcellos, de 33 anos, foi morto numa praia em Cascais. Ele participava de uma filmagem em Portugal.
MT: índios protestam contra hidrelétricas
Eles atacaram usinas e paralisaram obras. Impasse permanece entre empresários, Ministério Público, Secretaria de Meio Ambiente e Funai.
sábado, 27 de dezembro de 2008
Especial de Fim de Ano - Roberto Carlos

Como é grande meu amor por voce
Mulher Pequena
ROBERTO CARLOS -ESPECIAL FIM DE ANO 2008 -REDE GLOBO C/ CAETANO VELOSO (ENTREVISTADOS POR NELSON MOTTA )
ROBERTO CARLOS (C/ CAETANO VELOSO) FORÇA ESTRANHA
Roberto Carlos e Caetano Veloso - Tereza da Praia
Roberto Carlos Especial 2008 - Concavo e Convexo
Roberto Carlos e Caetano Veloso - Especial de 2008
Roberto Carlos recebe Rita Lee !
'A distância' na voz de Zezé Di Camargo e Luciano
Zezé Di Camargo e Luciano prestam homenagem ao Rei
`Você foi, o maior dos meus casos...´
'Debaixo dos caracóis' emociona platéia
Roberto Carlos e Neguinho da Beija Flor
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
REVISTA VEJA - 31/12/2008

Diogo MainardiO ano da parábola
"É assim que eu resumiria 2008: o ano parabólico.
Ou mais simplesmente: o ano de Galileu. Na primeira
metade, a gente subiu, subiu, subiu. Na segunda
metade, desceu, desceu, desceu"
Qual é o peso de Lula? É para realizar um teste. O mesmo teste que Galileu realizou com uma bola de bronze do tamanho de uma castanha. O teste de Galileu é de 1608. Quatrocentos anos depois, nos últimos momentos de 2008, sugiro reproduzi-lo em sua homenagem. Com Lula no lugar da bola de bronze.
O teste de Galileu permitiu-lhe estudar a trajetória dos projéteis. Uma bola de bronze corria por uma prancha inclinada, dotada de uma canaleta, posicionada na borda de uma mesa. Dependendo do ângulo de inclinação da prancha, a bola de bronze atingia uma determinada velocidade e era projetada mais perto ou mais longe, até se chocar contra o solo. Dessa maneira, Galileu demonstrou que a trajetória dos projéteis, ao contrário do que se dizia desde os tempos de Aristóteles, fazia uma parábola no ar, como ele ilustrou no seguinte desenho:
É assim que eu resumiria 2008: o ano parabólico. Ou mais simplesmente: o ano de Galileu. Na primeira metade, a gente subiu, subiu, subiu. Na segunda metade, desceu, desceu, desceu. Há 400 anos, no laboratório de Pádua, Galileu analisou o arco percorrido pela bola de bronze, que ascendia até tocar seu vértice e, a partir daí, empreendia uma trajetória descendente, estatelando-se no solo. Foi o que aconteceu em 2008, no Brasil e lá fora.
Para nós, a data mais marcante do ano foi 3 de julho. Nesse dia, a saca de soja, o litro de etanol e o barril de petróleo tocaram o topo da parábola, sendo negociados com seus valores máximos. Depois disso, eles só despencaram, indicando o que iria ocorrer na segunda metade do ano, com o completo esfarelamento da economia internacional. Alguém pode argumentar que o Brasil é muito mais do que suas sacas de soja. Eu pergunto: é mesmo? A saca de soja é o principal símbolo de nosso papel no mundo, como produtores de matérias-primas. É o que compartilhamos com os outros países, mais ou menos como aqueles 95% de DNA que os seres humanos compartilham com os chimpanzés. O Brasil é o chimpanzé do comércio mundial.
Se 2008 é o ano da parábola, a melhor maneira de festejá-lo é refazer o teste de Galileu.
1) Construir uma rampa de 30 metros de comprimento.
2) Erguê-la a 10 metros de altura.
3) Soltar Lula do alto da rampa.
4) Vê-lo rolar cada vez mais rápido.
5) Analisar a trajetória de sua queda, depois de ter sido arremessado da rampa.
6) Medir a distância percorrida no ar até o ponto de seu impacto no solo.
O fato de realizar o teste com Lula no lugar da bola de bronze tem um propósito: ele representa 95% do DNA nacional. E representa-os mais do que nunca, tendo batido, neste ano, todos os recordes de popularidade. Ou jogamos Lula do alto da rampa, ou jogamos uma saca de soja. Lula é melhor. Em particular, para aquela parte final do teste, quando a bola de bronze desce, desce, desce, até se chocar contra o solo.
A SEMANA BRASIL
Eles não desistem
Na agenda dos aliados do governo para 2009, está o terceiro mandato para Lula. Se não der, quem sabe uma prorrogação
Há duas semanas, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados deu seqüência ao projeto de reforma política, por meio de um parecer que altera o calendário eleitoral a partir de 2010. De acordo com as propostas reunidas nesse parecer, os mandatos dos cargos executivos são estendidos de quatro para cinco anos, acaba a reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos e o voto deixa de ser obrigatório, entre outras modificações (veja o quadro). Parece bom, mas é preciso muito cuidado nessas horas. Reforma política é uma daquelas idéias que, exemplares no papel, correm o risco de se transformar em monstrengos casuísticos na realidade. O bicho-papão mais feio que pode emergir dela é a possibilidade legal de permitir uma terceira eleição consecutiva a Lula ou até mesmo de prorrogar sua permanência no Palácio do Planalto. Esse golpe branco é aventado com mais intensidade sempre que é anunciado um pico de aprovação do presidente. Nessas horas, surgem petistas e aliados do governo que tentam vender gato por lebre. Ou seja, popularidade por legitimidade para esculhambar as instituições. O deputado Carlos Willian de Souza, do PTC de Minas Gerais, disciplinado soldado da tropa de choque oficial, é uma das vozes do casuísmo mais estridentes. Ele anunciou que, em fevereiro próximo, tão logo sejam reabertos os trabalhos legislativos, vai materializar a proposta de re-reeleição de Lula. "Há vários deputados que, apesar de se dizerem contrários em público, no momento propício votarão pela possibilidade de mais um mandato do presidente", anima-se Willian.São remotas as chances de aprovação em tempo hábil de uma emenda constitucional específica que permita o terceiro mandato para Lula, mas os planos alternativos e silenciosos continuam em andamento. No esboço do primeiro parecer da CCJ, por exemplo, algumas propostas reunidas pelo deputado-mensaleiro João Paulo Cunha, do PT, previam o fim da reeleição para os futuros governantes, mas nada falavam sobre o mandato do atual presidente. O deputado Ronaldo Caiado, do Democratas de Goiás, enxergou uma omissão intencional. "Criava-se o vazio e ponto final. Sem lei autorizando nem proibindo, o presidente poderia ser candidato a um terceiro mandato", explicou o parlamentar, que exigiu a retirada dessas propostas. Os petistas reagiram com veemência. "A oposição está enxergando fantasmas em pleno meio-dia", ironizou o deputado João Paulo Cunha, apoiado pelo também mensaleiro José Genoíno. "A reação deles mostra que a nossa desconfiança fazia sentido", devolveu Caiado.
O fato é que, na ausência de candidatos viáveis à Presidência da República, o petismo e suas adjacências resistem a entregar a rapadura. Além da proposta do deputado Carlos Willian, serão analisadas na Comissão de Constituição e Justiça mais de duas dezenas de emendas tratando da duração de mandatos e data de eleições. Está na combinação de duas propostas já consideradas constitucionais pelos parlamentares o que os petistas chamam de plano B. Em vez de realizar um pleito a cada dois anos, o Brasil teria eleições gerais. Assim, presidente, governadores, prefeitos, deputados federais e estaduais e vereadores seriam escolhidos numa mesma eleição. A malandragem é que os mandatos do presidente, governadores, senadores e deputados acabam em 2010, enquanto os dos prefeitos e vereadores que estão para tomar posse, apenas em 2012. Ou seja: para unificar tudo seria necessário alongar os atuais mandatos dos cargos executivos em mais dois anos. Defensor mais barulhento dessa proposta, o deputado petista Devanir Ribeiro – que no início do ano articulou a realização de um plebiscito sobre o terceiro mandato presidencial – jura que ela nada tem a ver com a permanência de Lula por mais tempo no poder. É claro que não, Devanir... Eles não desistem.
RETROSPECTIVA 2008
http://veja.abril.com.br/311208/p_072.shtml
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Jornal da Globo - 22/12/2008
Caos e prejuízos em São Paulo
Um temporal de verão marcou o primeiro dia da estação em São Paulo. No meio da tarde o dia virou noite e a água carregou tudo que encontrou pela frente.
Moradores do Nordeste sofrem com a seca
Diferente da situação do Sudeste, a estiagem prejudica a população e faz crianças e animais dividirem o mesmo espaço.
Duas pesquisas, dois resultados
Dieese diz que desemprego em novembro foi o mais baixo da história. Já o Ministério do Trabalho afirma que 40 mil vagas foram fechadas.
O desmonte das prefeituras
Prefeito paranaense descumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal e deixa cidade endividada, sem médicos, remédios e creches.
Sarkozy se reúne com Lula no Rio de Janeiro
O encontro foi político, mas quem roubou a cena foi a primeira dama da França, Carla Bruni. E é bom se acostumar... Em 2009 não faltarão motivos para o brasileiro carregar no sotaque francês.
Lula bate papo com Sarkozy e Carla Bruni
Para ele, nunca foi tão necessário fazer negócio entre o Brasil e a França.
Um temporal de verão marcou o primeiro dia da estação em São Paulo. No meio da tarde o dia virou noite e a água carregou tudo que encontrou pela frente.
Moradores do Nordeste sofrem com a seca
Diferente da situação do Sudeste, a estiagem prejudica a população e faz crianças e animais dividirem o mesmo espaço.
Duas pesquisas, dois resultados
Dieese diz que desemprego em novembro foi o mais baixo da história. Já o Ministério do Trabalho afirma que 40 mil vagas foram fechadas.
O desmonte das prefeituras
Prefeito paranaense descumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal e deixa cidade endividada, sem médicos, remédios e creches.
Sarkozy se reúne com Lula no Rio de Janeiro
O encontro foi político, mas quem roubou a cena foi a primeira dama da França, Carla Bruni. E é bom se acostumar... Em 2009 não faltarão motivos para o brasileiro carregar no sotaque francês.
Lula bate papo com Sarkozy e Carla Bruni
Para ele, nunca foi tão necessário fazer negócio entre o Brasil e a França.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Revista Veja - 24/12/2008
ENCONTRO MARCADO NA JUSTIÇA
O Tribunal Superior Eleitoral aperta o cerco a políticos que não cumprem a lei. O ano de 2009 pode começar com novos governadores

Em algumas regiões do Brasil, as eleições sempre foram disputadas seguindo regras muito parecidas com as do vale-tudo – incluindo até os golpes abaixo da linha da cintura. À margem da lei, candidatos distribuem favores, usam a máquina pública em benefício próprio, fazem propaganda fora do prazo legal, promovem shows, entregam brindes, financiam consultas médicas, dão comida e, os mais ousados, chegam a entregar cheques pré-datados e dinheiro vivo aos eleitores. O horizonte de impunidade sempre incentivou tais práticas, que não distinguem partidos, credos ou ideologias. A boa notícia é que a tolerância jurídica com esse tipo de comportamento criminoso e antidemocrático dá sinais de arrefecimento. No próximo ano, nada menos que oito governadores correm o risco de ter o mandato cassado por crimes diversos praticados nas eleições de 2006. O que chama atenção é a possibilidade real do encontro de muitos deles com a punição.
Há um mês, o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, do PSDB, teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral por crime de abuso de poder econômico. O governador, que concorreu à reeleição, foi acusado de distribuir aos eleitores 35 000 cheques de uma fundação estatal durante a campanha. Cunha Lima impetrou um recurso no tribunal para tentar reverter a decisão, mas a chance de sucesso, segundo os ministros, é mínima. Na última quinta-feira 18, foi a vez do governador do Maranhão, Jackson Lago, do PDT, tido como um ícone do combate ao domínio da família do ex-presidente Sarney no estado. Ele foi acusado pelos adversários, entre outras coisas, de ter a candidatura turbinada pelo antecessor, José Reinaldo Tavares, que assinou convênios bem populares com prefeituras durante o período eleitoral. O ministro Eros Grau, relator do processo, votou pela cassação, mas o caso só vai ter um desfecho em fevereiro do ano que vem, depois das férias do Judiciário, devido a um pedido de vista do ministro Felix Fischer.
Sob o comando do ministro Carlos Ayres Britto, o TSE imprimiu um ritmo mais célere aos julgamentos de processos de fraude e corrupção eleitorais. De julho até a semana passada, o tribunal julgou mais de 6.000 ações. Antes não eram incomuns casos que chegavam à corte para ser analisados depois que os investigados já haviam até cumprido o mandato – o que os tornava sem efeito. Um exemplo dessa disposição aconteceu na última quarta-feira 17, durante o julgamento do recurso do governador da Paraíba. O caso está no tribunal há dezoito meses. Apesar disso, na hora de votar, o ministro Arnaldo Versiani pediu vista por 48 horas. Com as férias, portanto, a decisão final só ocorreria em 2009. Irritado, o ministro Joaquim Barbosa abandonou o plenário da corte. Para acalmar os ânimos, Ayres Britto marcou uma sessão extraordinária para dois dias depois, na sexta-feira, quando esperava concluir o julgamento. O ministro Versiani, porém, não conseguiu terminar a tempo a análise dos mais de 500 volumes do processo. O resultado só será conhecido mesmo no ano que vem

Apesar de atrasar em pelo menos dois meses a decisão final de cada caso, o adiamento dos julgamentos dos governadores para o ano que vem foi bem recebido por alguns dos interessados diretos no processo. Se a cassação fosse confirmada antes de se completar a metade do mandato, haveria uma nova eleição, como determina a lei. A partir de agora, em caso de perda de mandato, assume o cargo o segundo colocado no pleito anterior. Na fila de espera estão figuras que, no passado, também já tiveram problemas sérios com a Justiça, inclusive a eleitoral. No Maranhão, a principal beneficiada seria a senadora Roseana Sarney. No Tocantins, o não menos conhecido Siqueira Campos sonha em voltar mais uma vez ao governo. "O ramo da Justiça mais célere tem de ser o eleitoral, pois temos eleições de dois em dois anos", disse o ministro Carlos Ayres Britto. Segundo ele, os oito governadores não foram julgados antes porque houve uma mudança de jurisprudência que exigiu que seus vices também fossem incluídos nos processos. Isso fez com que os processos originais retornassem aos tribunais para ser refeitos.
Numa demonstração do aperfeiçoamento das instituições diante de uma legislação mais rigorosa e clara, na semana passada o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, confirmou também a cassação do deputado Walter Brito Neto, do PRB da Paraíba, o primeiro parlamentar a perder o mandato por infidelidade partidária. O processo chegou a criar um mal-estar entre o TSE e a Câmara. Em março, o tribunal cassou o deputado, que, depois de eleito, trocou o DEM pelo PRB, o que é proibido pela legislação. Apesar da decisão, Chinaglia, alegando cautela, preferiu esperar a confirmação de um recurso que o parlamentar impetrou no Supremo Tribunal Federal e que só foi julgado no início de dezembro. A vaga de Walter Brito será assumida pelo suplente Major Fábio. Em 2009, o Tribunal Eleitoral vai analisar outros seis casos de troca de partido, que também podem acabar em cassação de mandato.
A nova atitude dos juízes eleitorais está provocando arrepios em alguns candidatos que temem a possibilidade de o rigor do TSE produzir um efeito colateral perigoso: o candidato especialista em vencer no tribunal. Essa tese, porém, só se sustenta na possibilidade de considerar que nada vai mudar, que os políticos continuarão promovendo as maracutaias de sempre, dando de ombros para a Justiça. Não é esse o quadro que se apresenta. Nas eleições de 2000, foram impetradas 3.000 ações que tentavam impugnar candidaturas ou cassar diplomas. Esse número dobrou. Além dos governadores e dos deputados infiéis, o tribunal cassou 100 prefeitos só neste ano. Um deles por não ter pago uma multa de 3,51 reais. Resume o jurista e ex-ministro do TSE Fernando Neves: "Há um apelo maior ao Judiciário. É esse o movimento. O eleitor quer o cidadão de bem como candidato, e as pessoas viram na Justiça Eleitoral um ponto de segurança para afastar aquele que não honrou o eleitor".
O Tribunal Superior Eleitoral aperta o cerco a políticos que não cumprem a lei. O ano de 2009 pode começar com novos governadores

CUMPRA-SE A LEI
O ministro Carlos Ayres Britto, presidente do TSE: a Justiça Eleitoral tem de ser mais rápidaEm algumas regiões do Brasil, as eleições sempre foram disputadas seguindo regras muito parecidas com as do vale-tudo – incluindo até os golpes abaixo da linha da cintura. À margem da lei, candidatos distribuem favores, usam a máquina pública em benefício próprio, fazem propaganda fora do prazo legal, promovem shows, entregam brindes, financiam consultas médicas, dão comida e, os mais ousados, chegam a entregar cheques pré-datados e dinheiro vivo aos eleitores. O horizonte de impunidade sempre incentivou tais práticas, que não distinguem partidos, credos ou ideologias. A boa notícia é que a tolerância jurídica com esse tipo de comportamento criminoso e antidemocrático dá sinais de arrefecimento. No próximo ano, nada menos que oito governadores correm o risco de ter o mandato cassado por crimes diversos praticados nas eleições de 2006. O que chama atenção é a possibilidade real do encontro de muitos deles com a punição.
Há um mês, o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, do PSDB, teve o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral por crime de abuso de poder econômico. O governador, que concorreu à reeleição, foi acusado de distribuir aos eleitores 35 000 cheques de uma fundação estatal durante a campanha. Cunha Lima impetrou um recurso no tribunal para tentar reverter a decisão, mas a chance de sucesso, segundo os ministros, é mínima. Na última quinta-feira 18, foi a vez do governador do Maranhão, Jackson Lago, do PDT, tido como um ícone do combate ao domínio da família do ex-presidente Sarney no estado. Ele foi acusado pelos adversários, entre outras coisas, de ter a candidatura turbinada pelo antecessor, José Reinaldo Tavares, que assinou convênios bem populares com prefeituras durante o período eleitoral. O ministro Eros Grau, relator do processo, votou pela cassação, mas o caso só vai ter um desfecho em fevereiro do ano que vem, depois das férias do Judiciário, devido a um pedido de vista do ministro Felix Fischer.
Sob o comando do ministro Carlos Ayres Britto, o TSE imprimiu um ritmo mais célere aos julgamentos de processos de fraude e corrupção eleitorais. De julho até a semana passada, o tribunal julgou mais de 6.000 ações. Antes não eram incomuns casos que chegavam à corte para ser analisados depois que os investigados já haviam até cumprido o mandato – o que os tornava sem efeito. Um exemplo dessa disposição aconteceu na última quarta-feira 17, durante o julgamento do recurso do governador da Paraíba. O caso está no tribunal há dezoito meses. Apesar disso, na hora de votar, o ministro Arnaldo Versiani pediu vista por 48 horas. Com as férias, portanto, a decisão final só ocorreria em 2009. Irritado, o ministro Joaquim Barbosa abandonou o plenário da corte. Para acalmar os ânimos, Ayres Britto marcou uma sessão extraordinária para dois dias depois, na sexta-feira, quando esperava concluir o julgamento. O ministro Versiani, porém, não conseguiu terminar a tempo a análise dos mais de 500 volumes do processo. O resultado só será conhecido mesmo no ano que vem

ARRISCOU E PERDEU
O deputado Walter Brito: o primeiro caso de cassação de mandato por infidelidade partidária Apesar de atrasar em pelo menos dois meses a decisão final de cada caso, o adiamento dos julgamentos dos governadores para o ano que vem foi bem recebido por alguns dos interessados diretos no processo. Se a cassação fosse confirmada antes de se completar a metade do mandato, haveria uma nova eleição, como determina a lei. A partir de agora, em caso de perda de mandato, assume o cargo o segundo colocado no pleito anterior. Na fila de espera estão figuras que, no passado, também já tiveram problemas sérios com a Justiça, inclusive a eleitoral. No Maranhão, a principal beneficiada seria a senadora Roseana Sarney. No Tocantins, o não menos conhecido Siqueira Campos sonha em voltar mais uma vez ao governo. "O ramo da Justiça mais célere tem de ser o eleitoral, pois temos eleições de dois em dois anos", disse o ministro Carlos Ayres Britto. Segundo ele, os oito governadores não foram julgados antes porque houve uma mudança de jurisprudência que exigiu que seus vices também fossem incluídos nos processos. Isso fez com que os processos originais retornassem aos tribunais para ser refeitos.
Numa demonstração do aperfeiçoamento das instituições diante de uma legislação mais rigorosa e clara, na semana passada o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, confirmou também a cassação do deputado Walter Brito Neto, do PRB da Paraíba, o primeiro parlamentar a perder o mandato por infidelidade partidária. O processo chegou a criar um mal-estar entre o TSE e a Câmara. Em março, o tribunal cassou o deputado, que, depois de eleito, trocou o DEM pelo PRB, o que é proibido pela legislação. Apesar da decisão, Chinaglia, alegando cautela, preferiu esperar a confirmação de um recurso que o parlamentar impetrou no Supremo Tribunal Federal e que só foi julgado no início de dezembro. A vaga de Walter Brito será assumida pelo suplente Major Fábio. Em 2009, o Tribunal Eleitoral vai analisar outros seis casos de troca de partido, que também podem acabar em cassação de mandato.
A nova atitude dos juízes eleitorais está provocando arrepios em alguns candidatos que temem a possibilidade de o rigor do TSE produzir um efeito colateral perigoso: o candidato especialista em vencer no tribunal. Essa tese, porém, só se sustenta na possibilidade de considerar que nada vai mudar, que os políticos continuarão promovendo as maracutaias de sempre, dando de ombros para a Justiça. Não é esse o quadro que se apresenta. Nas eleições de 2000, foram impetradas 3.000 ações que tentavam impugnar candidaturas ou cassar diplomas. Esse número dobrou. Além dos governadores e dos deputados infiéis, o tribunal cassou 100 prefeitos só neste ano. Um deles por não ter pago uma multa de 3,51 reais. Resume o jurista e ex-ministro do TSE Fernando Neves: "Há um apelo maior ao Judiciário. É esse o movimento. O eleitor quer o cidadão de bem como candidato, e as pessoas viram na Justiça Eleitoral um ponto de segurança para afastar aquele que não honrou o eleitor".
sábado, 20 de dezembro de 2008
Jornal da Globo - 18/12/2008
Chuva deixa 39 cidades mineiras em estado de emergência
Segundo a Defesa Civil, esta é a pior enchente dos últimos 30 anos, 25 mil pessoas foram atingidas. São 2.500 desalojados e 800 desabrigados
Crise acende discussão sobre direitos trabalhistas
Centrais sindicais resistem às propostas de flexibilização de leis trabalhistas, apresentadas por empresários como forma de evitar o desemprego trazido pela crise. Sardenberg comenta.
Walter Brito Neto já não é mais deputado federal
Depois de resistir às decisões do judiciário, a Câmara dos Deputados cassou o Walter Brito. Ele é o primeiro parlamentar a perder o mandato por infidelidade partidária.
Apreensão de drogas e prisão de “mulas” bate recorde em Guarulhos
Para um mês de dezembro a apreensão de cocaína no aeroporto internacional de São Paulo bateu recorde. A reportagem, com imagens inéditas, é de César Tralli.
Bush deve mesclar duas fórmulas para salvar montadoras
Governo americano deve adotar uma mistura entre o pedido de concordata das empresas e a ajuda através do fundo de salvação dos bancos. Sardenberg comenta.
Deputados brigam no parlamento da Coréia do Sul
A turma do governo tentou excluir a oposição de uma crucial votação sobre um acordo de livre comércio com os Estados Unidos.
Prefeitura do Rio não consegue concluir obras da "Cidade da Música"
A cerimônia de inauguração do centro cultural estava marcada para esta noite, mas foi adiada após uma vistoria do corpo de bombeiros, por falhas de segurança.
Madonna faz o primeiro dos três shows em São Paulo
Depois de entrar no estádio do Morumbi, os fãs tiveram de segurar um pouco mais a ansiedade. O show começou com quase duas horas de atraso.
Segundo a Defesa Civil, esta é a pior enchente dos últimos 30 anos, 25 mil pessoas foram atingidas. São 2.500 desalojados e 800 desabrigados
Crise acende discussão sobre direitos trabalhistas
Centrais sindicais resistem às propostas de flexibilização de leis trabalhistas, apresentadas por empresários como forma de evitar o desemprego trazido pela crise. Sardenberg comenta.
Walter Brito Neto já não é mais deputado federal
Depois de resistir às decisões do judiciário, a Câmara dos Deputados cassou o Walter Brito. Ele é o primeiro parlamentar a perder o mandato por infidelidade partidária.
Apreensão de drogas e prisão de “mulas” bate recorde em Guarulhos
Para um mês de dezembro a apreensão de cocaína no aeroporto internacional de São Paulo bateu recorde. A reportagem, com imagens inéditas, é de César Tralli.
Bush deve mesclar duas fórmulas para salvar montadoras
Governo americano deve adotar uma mistura entre o pedido de concordata das empresas e a ajuda através do fundo de salvação dos bancos. Sardenberg comenta.
Deputados brigam no parlamento da Coréia do Sul
A turma do governo tentou excluir a oposição de uma crucial votação sobre um acordo de livre comércio com os Estados Unidos.
Prefeitura do Rio não consegue concluir obras da "Cidade da Música"
A cerimônia de inauguração do centro cultural estava marcada para esta noite, mas foi adiada após uma vistoria do corpo de bombeiros, por falhas de segurança.
Madonna faz o primeiro dos três shows em São Paulo
Depois de entrar no estádio do Morumbi, os fãs tiveram de segurar um pouco mais a ansiedade. O show começou com quase duas horas de atraso.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Jornal Nacional -18/12/2208
Comissão debate cotas raciais em instituições federais de ensino
Educadores e representantes da sociedade civil debateram numa comissão do Senado o projeto de lei que prevê a criação de cotas raciais para o ingresso de alunos em instituições federais de ensino
Câmara veta aumento do número de vereadores
O projeto que aumenta o número de vereadores em todo o país chegou a ser aprovado no Senado durante a madrugada desta quinta-feira (18), mas acabou barrado na Câmara dos Deputados.
Pedido de cassação do governador do Maranhão é julgado
Jackson Lago responde a processo por suposto abuso de poder econômico e compra de votos em 2006. O vice dele, Luiz Carlos Porto, também pode perder o mandato. O governador disse que confia na Justiça.
Dengue: população de Araraquara declara guerra à doença
A quarta reportagem da série especial do Jornal Nacional mostra a movimentação das crianças e o trabalho de um aposentado no combate à doença na cidade paulista.
Chuva deixa parte de Minas em situação grave
Na Zona da Mata, por onde passavam carros, agora circulam barcos. A Defesa Civil considera essa enchente a pior dos últimos 30 anos em Cataguases. Centro-oeste do estado foi todo atingido pela chuva.
Apreensão de drogas e prisão de 'mulas' bate recorde em Guarulhos
Passageiros de países pobres do Leste Europeu representam quase a metade dos flagrantes de tráfico agora em dezembro. Este mês, foram presos 10 homens e 10 mulheres, que levavam 119 quilos de cocaína
Grande BH também sofre com as chuvas
Em Belo Vale, Betim e Jeceaba, rios subiram, há ruas e avenidas alagadas. A situação é mais crítica em outro município da região, Brumadinho, onde a estrada de acesso desapareceu debaixo d'água.
Chuva desaloja quatro mil no norte fluminense
Trecho da BR-356, que corta o norte e o noroeste do estado, foi interditado pelas águas do rio Muriaé. Em Itaperuna, mais de três mil casas foram atingidas. Em Campos, escolas públicas viraram abrigo.
Vereadores do interior paulista gastam R$ 120 mil com painel eletrônico
Painel eletrônico instalado na Câmara de Olímpia, cidade de 48 mil habitantes, a 500 km de São Paulo, registra votos dos nove vereadores. Cidadãos estão revoltados, porque só há três sessões por mês.
Montadoras americanas suspendem produção
Nas 30 fábricas da Chrysler, máquinas e homens param de trabalhar por um mês, a partir de amanhã. A Ford anunciou que ficará três semanas sem produzir. Prejuízos e queda nas vendas pesaram na decisão.
Homens atacam meninos a facadas no Distrito Federal
Os menores com idades entre 10 e 15 anos estavam jogando futebol quando foram levados para a beira de um córrego e esfaqueados. Dois deles morreram.
Walter Brito Neto perde mandato de deputado
Ele havia sido condenado por infidelidade partidária há nove meses. A Câmara só anunciou o afastamento depois que a decisão foi confirmada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal.
Brasil mantém posição no Índice de Desenvolvimento Humano
Avaliação da ONU mede a qualidade de vida nos países. O Brasil ficou na mesma 70ª colocação obtida no último levantamento, em 2007, e foi ultrapassado pela Venezuela. Mas melhorou sua nota no IDH.
Educadores e representantes da sociedade civil debateram numa comissão do Senado o projeto de lei que prevê a criação de cotas raciais para o ingresso de alunos em instituições federais de ensino
Câmara veta aumento do número de vereadores
O projeto que aumenta o número de vereadores em todo o país chegou a ser aprovado no Senado durante a madrugada desta quinta-feira (18), mas acabou barrado na Câmara dos Deputados.
Pedido de cassação do governador do Maranhão é julgado
Jackson Lago responde a processo por suposto abuso de poder econômico e compra de votos em 2006. O vice dele, Luiz Carlos Porto, também pode perder o mandato. O governador disse que confia na Justiça.
Dengue: população de Araraquara declara guerra à doença
A quarta reportagem da série especial do Jornal Nacional mostra a movimentação das crianças e o trabalho de um aposentado no combate à doença na cidade paulista.
Chuva deixa parte de Minas em situação grave
Na Zona da Mata, por onde passavam carros, agora circulam barcos. A Defesa Civil considera essa enchente a pior dos últimos 30 anos em Cataguases. Centro-oeste do estado foi todo atingido pela chuva.
Apreensão de drogas e prisão de 'mulas' bate recorde em Guarulhos
Passageiros de países pobres do Leste Europeu representam quase a metade dos flagrantes de tráfico agora em dezembro. Este mês, foram presos 10 homens e 10 mulheres, que levavam 119 quilos de cocaína
Grande BH também sofre com as chuvas
Em Belo Vale, Betim e Jeceaba, rios subiram, há ruas e avenidas alagadas. A situação é mais crítica em outro município da região, Brumadinho, onde a estrada de acesso desapareceu debaixo d'água.
Chuva desaloja quatro mil no norte fluminense
Trecho da BR-356, que corta o norte e o noroeste do estado, foi interditado pelas águas do rio Muriaé. Em Itaperuna, mais de três mil casas foram atingidas. Em Campos, escolas públicas viraram abrigo.
Vereadores do interior paulista gastam R$ 120 mil com painel eletrônico
Painel eletrônico instalado na Câmara de Olímpia, cidade de 48 mil habitantes, a 500 km de São Paulo, registra votos dos nove vereadores. Cidadãos estão revoltados, porque só há três sessões por mês.
Montadoras americanas suspendem produção
Nas 30 fábricas da Chrysler, máquinas e homens param de trabalhar por um mês, a partir de amanhã. A Ford anunciou que ficará três semanas sem produzir. Prejuízos e queda nas vendas pesaram na decisão.
Homens atacam meninos a facadas no Distrito Federal
Os menores com idades entre 10 e 15 anos estavam jogando futebol quando foram levados para a beira de um córrego e esfaqueados. Dois deles morreram.
Walter Brito Neto perde mandato de deputado
Ele havia sido condenado por infidelidade partidária há nove meses. A Câmara só anunciou o afastamento depois que a decisão foi confirmada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal.
Brasil mantém posição no Índice de Desenvolvimento Humano
Avaliação da ONU mede a qualidade de vida nos países. O Brasil ficou na mesma 70ª colocação obtida no último levantamento, em 2007, e foi ultrapassado pela Venezuela. Mas melhorou sua nota no IDH.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Profissão Repórter - 16/12/2008
SANTA CATARINA: O DIFÍCIL RECOMEÇO
Três semanas depois da tragédia, o Profissão Repórter volta a Santa Catarina para mostrar o trabalho e a luta dos moradores para recomeçar. São quase cinco mil famílias sem um lugar seguro pra morar.
Caco visita a família que perdeu cinco parentes. Caio e Thais voltam aos cenários de suas reportagens: o supermercado invadido, as fazendas onde muitos animais morreram afogados e as casas que o programa visitou nos primeiros dias da tragédia. Depois de salvar mais de 800 pessoas, a equipe da Força Aérea Brasileira faz sua última missão de resgate em Santa Catarina e nós vamos juntos.
1º Bloco
2º Bloco
Três semanas depois da tragédia, o Profissão Repórter volta a Santa Catarina para mostrar o trabalho e a luta dos moradores para recomeçar. São quase cinco mil famílias sem um lugar seguro pra morar.
Caco visita a família que perdeu cinco parentes. Caio e Thais voltam aos cenários de suas reportagens: o supermercado invadido, as fazendas onde muitos animais morreram afogados e as casas que o programa visitou nos primeiros dias da tragédia. Depois de salvar mais de 800 pessoas, a equipe da Força Aérea Brasileira faz sua última missão de resgate em Santa Catarina e nós vamos juntos.
1º Bloco
2º Bloco
Toma lá...dá cá!16/12/2008
SINOPSE
Os moradores do 11.º andar do bloco C do Jambalaya Ocean Drive decidem fazer uma ceia de Natal em conjunto. Os problemas começam quando, para desespero de Rita (Marisa Orth), Arnaldo (Diogo Vilela) chega em casa com um peru ainda vivo. Isadora (Fernanda Souza) também surpreende trazendo a sua contribuição: uma cesta natalina, mas explica que a pegou de uma vizinha cega do terceiro andar e no local colocou uma bolsa cheia de tijolos.
Seu Ladir (Ítalo Rossi) ainda inventa um coral natalino eclético, com todos os participantes fantasiados. Para completar a festa, o anjo caído Tavares (Léo Jaime) baixa sem uma asa na festa do Jambalaya. Para recuperar a asa e voltar ao Paraíso, ele precisa garantir que os moradores do condomínio – incluindo aí a trupe formada por Mário Jorge (Miguel Falabella), Celinha (Adriana Esteves), Copélia (Arlete Salles), Tatalo (George Sauma), Adônis (Daniel Torres), Álvara (Stella Miranda), dona Deise (Norma Bengell) e Bozena (Alessandra Maestrini) – tornem-se pessoas melhores em 24 horas. Só mesmo um milagre de Natal pode ajudar esse anjo!
Um anjo precisa que os moradores do Jambalaya sejam melhores, pra recuperar sua asa
Seu Ladir prepara um coral natalino diferente para a ceia de Natal do Jambalaya
Os preparativos para a ceia de Natal dos moradores do Jambalaya
Os moradores do 11.º andar do bloco C do Jambalaya Ocean Drive decidem fazer uma ceia de Natal em conjunto. Os problemas começam quando, para desespero de Rita (Marisa Orth), Arnaldo (Diogo Vilela) chega em casa com um peru ainda vivo. Isadora (Fernanda Souza) também surpreende trazendo a sua contribuição: uma cesta natalina, mas explica que a pegou de uma vizinha cega do terceiro andar e no local colocou uma bolsa cheia de tijolos.
Seu Ladir (Ítalo Rossi) ainda inventa um coral natalino eclético, com todos os participantes fantasiados. Para completar a festa, o anjo caído Tavares (Léo Jaime) baixa sem uma asa na festa do Jambalaya. Para recuperar a asa e voltar ao Paraíso, ele precisa garantir que os moradores do condomínio – incluindo aí a trupe formada por Mário Jorge (Miguel Falabella), Celinha (Adriana Esteves), Copélia (Arlete Salles), Tatalo (George Sauma), Adônis (Daniel Torres), Álvara (Stella Miranda), dona Deise (Norma Bengell) e Bozena (Alessandra Maestrini) – tornem-se pessoas melhores em 24 horas. Só mesmo um milagre de Natal pode ajudar esse anjo!
Um anjo precisa que os moradores do Jambalaya sejam melhores, pra recuperar sua asa
Seu Ladir prepara um coral natalino diferente para a ceia de Natal do Jambalaya
Os preparativos para a ceia de Natal dos moradores do Jambalaya
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
BOM DIA BRASIL - 16/12/2008
A pirâmide que derrubou bancos e endinheirados pelo mundo
Foi com um truque velho e uma lábia experiente que um tradicional gestor de Wall Street deu um golpe de US$ 50 bilhões
Como proteger a casa em época de férias
Tomar pequenas precauções e pedir ajuda dos vizinhos são algumas sugestões da polícia para quem vai viajar.
Alagoanos sofrem com a poluição sonora de carros na praia
Carros com alto-falante viraram tormento para moradores das capitais brasileiras. Em Maceió, a orla é o alvo preferido dos infratores.
Clubes buscam reforços para temporada de 2009
A contratação de Cuca pelo Flamengo é uma das novidades no mercado da bola. O clube que demorar pode pagar caro no ano que vem.
Trainees ganham espaço no mercado de trabalho
São muitas as empresas que investem na formação desses novos profissionais.
Roubo de donativos é um desrespeito ao país todo
Alexandre Garcia: Alguns têm idade para ter filhos. Que educação devem ter dado? Porque exemplos estão dando, dos piores.
Polícia troca tiros com traficantes na favela da Rocinha
Mais de 30 carros de várias delegacias cercaram a favela. Ao chegar, eles foram recebidos a tiros e bombas.
Menino de 12 anos rouba e é preso pela 9ª vez em São Paulo
Ele estava com outros três adolescentes, em um carro que tinha sido roubado na última sexta-feira em Diadema, região metropolitana de São Paulo.
Nova companhia aérea traz mais concorrência para Brasil
Azul Linhas Aéres fez vôo inaugural ontem e já provocou reações da Gol e da TAM. A empresa tem só cinco aviões e apenas duas rotas.
Novo sistema de distribuição de doações começa a funcionar em Santa Catarina
Objetivo é evitar furto de donativos cometido por quem está lá para ajudar. Flagrante revoltou doadores e desabrigados do Brasil.
Foi com um truque velho e uma lábia experiente que um tradicional gestor de Wall Street deu um golpe de US$ 50 bilhões
Como proteger a casa em época de férias
Tomar pequenas precauções e pedir ajuda dos vizinhos são algumas sugestões da polícia para quem vai viajar.
Alagoanos sofrem com a poluição sonora de carros na praia
Carros com alto-falante viraram tormento para moradores das capitais brasileiras. Em Maceió, a orla é o alvo preferido dos infratores.
Clubes buscam reforços para temporada de 2009
A contratação de Cuca pelo Flamengo é uma das novidades no mercado da bola. O clube que demorar pode pagar caro no ano que vem.
Trainees ganham espaço no mercado de trabalho
São muitas as empresas que investem na formação desses novos profissionais.
Roubo de donativos é um desrespeito ao país todo
Alexandre Garcia: Alguns têm idade para ter filhos. Que educação devem ter dado? Porque exemplos estão dando, dos piores.
Polícia troca tiros com traficantes na favela da Rocinha
Mais de 30 carros de várias delegacias cercaram a favela. Ao chegar, eles foram recebidos a tiros e bombas.
Menino de 12 anos rouba e é preso pela 9ª vez em São Paulo
Ele estava com outros três adolescentes, em um carro que tinha sido roubado na última sexta-feira em Diadema, região metropolitana de São Paulo.
Nova companhia aérea traz mais concorrência para Brasil
Azul Linhas Aéres fez vôo inaugural ontem e já provocou reações da Gol e da TAM. A empresa tem só cinco aviões e apenas duas rotas.
Novo sistema de distribuição de doações começa a funcionar em Santa Catarina
Objetivo é evitar furto de donativos cometido por quem está lá para ajudar. Flagrante revoltou doadores e desabrigados do Brasil.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Escândalo, pó e morte- Revista Veja
A história é tão antiga quanto a humanidade, mas todo mundo continua a acompanhar com emoção a trama de poder, fama, traição e vício que uniu Susana Vieira e Marcelo Silva, depois os separou e por fim o levou à overdose fatal em companhia da nova e bela namorada. Dava um livro, um filme – e, claro, uma novela

Susana: a novela verdadeira da atriz rica e bem-sucedida que foi traída em público duas vezes pelo marido 28 anos mais jovem

Autodestruição
Marcelo com Fernanda: doze horas de uso contínuo de cocaína e surto alucinatório, até a morte ao lado da jovem por quem havia largado Susana
O nome e o rosto de Susana Vieira estão gravados na memória coletiva dos brasileiros. Ela divide com algumas poucas estrelas, como Hebe Camargo e Glória Menezes, a sensação de que existem desde sempre – o que é verdade, se o marco zero da história for o começo da televisão. Aos 66 anos, tem uma característica rara: continua a ser protagonista de novelas. Se não ganha o papel principal desde o início, em algum momento ela o devora, pela capacidade de infundir uma energia tão poderosa que ofusca tudo a seu redor. A isso se chama o poder de empatia e sedução das estrelas. É por isso que o público a ama, ao contrário de colegas que se atritam com a atriz de temperamento difícil e competitivo. E é por isso que não existe mulher no Brasil que não tenha acompanhado suas aventuras na TV e suas desventuras na vida real, que culminaram com a morte do ex-marido Marcelo Vieira da Silva, que por duas vezes a traiu e humilhou em público. É um lugar-comum comparar a vida de atores às tramas mirabolantes das novelas, mas provavelmente existem poucos exemplos mais cabíveis do que a história de amor, fama, poder, deslumbramento, ascensão social, traição e escândalo que aproximou e afastou Susana e Marcelo com a força de mil sóis da paixão e o apelo abissal da autodestruição. Nessa narrativa tão antiga quanto a humanidade, Susana era o personagem principal e Marcelo aquele coadjuvante de caráter duvidoso e comportamento inconveniente que todo mundo desconfia que não vai acabar bem no final. É a lição de moral que o senso comum de justiça exige, mas que quando acontece não pode deixar ninguém feliz.
Marcelo Silva, ex-soldado da PM, morreu no vigor dos 38 anos assombrado por alucinações terríveis que o atormentaram durante as suas últimas doze horas de vida. Imaginava estar sendo seguido por um homem e passou a noite tentando encontrá-lo. Tanto os delírios quanto o infarto que provavelmente o matou foram provocados pela cocaína que cheirou sem cessar. A nóia e a overdose, no linguajar dos drogados, são fenômenos diferentes, mas se uniram para destruir Marcelo de maneira inapelável. Antes de morrer, no começo da manhã de quinta-feira, ele se jogou no banco do carro estacionado na garagem do prédio onde morava, "como se estivesse atracado com alguém", disse a namorada, Fernanda Cunha, com quem dividiu os últimos e escandalosos dias. Nos momentos derradeiros, imaginava ter finalmente agarrado o algoz imaginário, o fantasma que o perseguia. "Te peguei, te peguei", gritou, segundo Fernanda contou à polícia. Em seguida se acalmou, como se estivesse dormindo. Aliviada, a namorada voltou ao carro e se sentou ao lado dele. Marcelo estava morto. Uma moradora que havia acudido foi a primeira a perceber ao iluminar o rosto dele com uma lanterna e notar um fio de sangue correndo pela boca.

CADA VEZ MAIS JOVENS
O rosto que as câmeras adoram e está na memória coletiva: Susana no início da carreira com o primeiro marido, Régis Cardoso; com Carson, o segundo, e com Marcelo, o bonitão da Baixada que foi expulso da PM depois do primeiro escândalo de drogas e quebradeira
A morte por overdose costuma decorrer de derrame ou infarto: o sistema cardiovascular não agüenta a descarga de noradrenalina, um neurotransmissor, o mesmo responsável pela inefável sensação de euforia que vem com a coca. Mesmo em usuários acostumados, ou com físico de atleta, como Marcelo, pode acontecer o momento em que o corpo não agüenta, pelo excesso de droga ou, o que é mais raro em razão da qualidade inferior do pó distribuído no Brasil, por sua pureza incomum. "O infarto em quem usa cocaína é diferente do habitual na meia-idade, que acontece por causa do entupimento de uma artéria do coração", explica Dartiu Xavier da Silveira, professor do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e diretor-geral do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad). "No caso da cocaína, acontece um espasmo, uma contração abrupta de artérias do coração, e o sangue deixa de circular." A jornada de Marcelo rumo a esse espasmo fatal começou no início da tarde de quarta-feira, quando comprou cocaína de ex-colegas de farda num estacionamento no centro do Rio de Janeiro. Foi o que disse Fernanda, segundo o depoimento no qual ela aparece dormindo em diversos e convenientes momentos – no caso, só acordou a tempo de vê-lo conversando com dois policiais ao lado de um carro da PM. Dali, foram para o motel Shalimar, nas proximidades da favela do Vidigal.
No começo da noite, Fernanda conta ter presenciado o comportamento transtornado pela primeira vez. Ele dizia estar sendo perseguido, falava sozinho, olhava nos cantos do quarto. Chegou a imaginar que Fernanda estava "de rolo" com o tal perseguidor. Os surtos em drogados funcionam de maneira quase idêntica aos de uma doença mental como a esquizofrenia paranóide. Como nos acometidos pelo distúrbio, os delírios parecem terrivelmente verdadeiros. Às 4h30 da madrugada, segundo as contas de Fernanda, voltaram para o apart-hotel onde moravam havia um mês, na Barra da Tijuca. Enquanto dirigia, ele cheirou mais e chegou alucinado à garagem do prédio. Circulava entre as vagas, freava bruscamente, gritava. Quando parou o carro, um Polo prata, começou a revistá-lo. Só interrompeu o surto de atividades frenéticas ao se jogar, prostrado, no banco do carona. Dali não saiu vivo.
Fernanda é uma bela nutricionista de 23 anos, filha de um médico e fazendeiro de Goiânia, que foi para o Rio fazer um curso de pós-graduação, conheceu Marcelo, apaixonou-se e desencadeou o último escândalo ao usar o truque clássico – e baixo – da "outra": ligar para a mulher oficial e contar tudo, na tentativa de forçar uma ruptura. Conseguiu. Depois de uma agressão que resultou em queixa à polícia, os dois se reconciliaram, contra a vontade da família dela, que chegou a cortar a mesada da jovem. Marcelo apareceu em programas de televisão fazendo declarações incrivelmente grosseiras, mas condizentes com seu perfil de boa-praça meio destrambelhado, que fala as besteiras como lhe vêm à cabeça. Antes da reconciliação com Fernanda, disse que "ela foi muito fácil, esfregava na minha cara; se eu não chegasse, seria chamado de gay". Em relação à atriz, a crueldade foi inconsciente: "Perdi a melhor mãe que já tive" (antes) e "Agradeço tudo o que a Susana fez por mim, mas as coisas têm início, meio e fim; eu e Fernanda estamos felizes" (depois). Nos bastidores, parecia desnorteado e dividido entre Susana, de quem parecia gostar de verdade, e Fernanda, com quem fazia planos de casar e ter filhos. Estava montando um negócio de transporte para executivos. Há duas semanas, embarcou com a namorada numa viagem de navio de Santos ao Rio, num encontro promovido pelo grupo Narcóticos Anônimos – uma incrível ironia, considerando-se que, quando estava com Susana Vieira, mentia que ia a reuniões do gênero para se encontrar com a outra. "Nunca aprovamos a união deles, mas era um ser humano que estava com nossa filha", diz a mãe de Fernanda, a psicóloga Terezinha Cunha. "Fernanda deu sorte de não ter sido morta por ele durante o surto", afirma o irmão dela, Cristiano.

DUAS CARAS
Mesma praia, mulheres diferentes: Marcelo com Susana, em agosto, e com Fernanda, em novembro; enquanto o caso foi clandestino, ele dizia que ia às reuniões dos Narcóticos Anônimos para se encontrar com a outra
Susana Vieira estreou na nascente televisão brasileira em 1963. Tinha o tipo de rosto que as câmeras adoram, mas ainda estava no fundo da tela – era contratada da TV Tupi para dançar durante a apresentação de cantores. Lá conheceu o primeiro marido, o diretor Régis Cardoso, falecido em 2005. Teve com ele o filho único, empresário que mora em Miami. Eram tempos ainda ingênuos quando fez o primeiro papel importante, o da babá malvada na novela Anjo Mau, da Globo. Num processo incomum, ela foi ganhando mais destaque com o tempo, que sempre pareceu desmentir com a aparência jovial (ajudada pelas plásticas de costume) e o temperamento desafiador. O segundo marido e o primeiro mais novo foi Carson Gardeazabal. Casou-se com ele em 1986, enfrentou uma temporada de escândalos quando ele foi acusado de duplo homicídio e se separou em 2003. A diferença de dezesseis anos saltou para 28 em 2006, quando ela conheceu Marcelo Silva, um típico bonitão da Baixada, de olhos verdes, corpo sarado e um incontornável fraco por mulheres. O primeiro encontro foi num ensaio da escola de samba Acadêmicos da Grande Rio, onde ela era a madrinha de bateria e ele fazia bico como segurança. Em duas semanas, Marcelo se mudou de Nilópolis para a casa dela, na Barra. Em três meses, anunciaram o casamento.
É impossível que uma mulher como Susana não soubesse das trocas presentes nesse tipo de relação, mesmo se sentindo desejada e amada de verdade, como testemunham amigos que acompanharam o envolvimento. E é impossível que ele não se deslumbrasse com a nova vida, de súbita notoriedade e múltiplas benesses. "Ela pegou um cara do subúrbio, trouxe para a Barra da Tijuca, deu a ele uma vida deslumbrante, algo meio Disney, e depois tirou. Ele não tinha base e pirou", descreve, sem meias palavras, uma pessoa que conheceu os dois. Na verdade, mais do que a falta de base era o excesso de pó que conturbava a vida de Marcelo. Quando conheceu Susana, ele tinha saído de um tratamento para se livrar da dependência química. A atriz, que como uma pessoa de seu tempo e de seu meio não ignorava o assunto, oscilava entre a irritação e o desejo de ajudar. Procurou assistência psiquiátrica para o marido. "Ele tinha um comportamento autodestrutivo, e os riscos de recaída eram visíveis", descreve a psiquiatra Magda Vaissman, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que cuidou de Marcelo durante três meses. "Ele era fascinado pela exposição em que vivia, pelo espetáculo. O que aconteceu foi uma tragédia, causada por uma doença difícil e traiçoeira." Foi a médica quem recomendou a internação numa clínica de recuperação depois do primeiro e humilhante escândalo em que Marcelo se envolveu: o quebra-quebra num motel onde se drogava em companhia de uma garota de programa. Com grande estardalhaço, como tudo o que faziam – e, quando não havia fotógrafos por perto, ele os chamava –, Marcelo e Susana se reconciliaram. Como prova de amor, ele gravou o rosto da atriz numa enorme tatuagem sobre as costelas.
Os probos e sérios riram-se do mau gosto dele e do pouco juízo dela. Os que já passaram pelo teste da paixão – fazer uma coisa que normalmente a pessoa não faria, e sabendo que vai dar errado – preferiram não julgar, ou pelo menos entender que esse é um campo onde a irracionalidade vence, sempre. A mais conhecida história ficcional de paixão de uma mulher mais velha por um homem mais jovem é o filme Crepúsculo dos Deuses, ou Sunset Boulevard, no título original. Numa cena venerada pelos amantes do cinema, a fita começa com um corpo boiando na piscina e um narrador contando como ele foi parar lá – um roteirista endividado se refugia no jardim de uma estrela decadente e não é preciso nem falar mais nada para saber o que acontece. Como tudo com mais de cinqüenta anos na cultura contemporânea, o filme de 1950 virou um clássico pela pura passagem do tempo – sem desmerecer suas maravilhosas qualidades. É possível que em menos tempo as reviravoltas e os dramas na vida de Susana se tornem um clássico. "Susana Vieira tem uma grande e rara comunicação com o público porque é muito forte e corajosa como mulher e como intérprete", diz o autor Silvio de Abreu. "O público vai sempre acompanhar seus trabalhos porque, como na vida real, Susana é muito sincera consigo mesma e não tem medo de expor suas fraquezas ou suas virtudes." Difícil pensar em personagem melhor para uma novela.

Quando a notícia da morte de Marcelo Silva chegou, todos se lembraram da invectiva da apresentadora Ana Maria Braga, antes da tragédia: "Se você desaparecesse da face da Terra agora, seria uma coisa maravilhosa para todo mundo". E todo mundo pensou nas similitudes. Como Susana, Ana Maria é uma mulher famosa e poderosa que vem se casando sucessivamente com homens alguns anos mais jovens e muitos milhões menos ricos. Em qualquer faixa etária, as mulheres de grande projeção enfrentam problemas para encontrar parceiros – os sensíveis egos masculinos não suportam a comparação. A partir de determinada idade, o difícil vira impossível. "Ela pode escolher um mais jovem pelo puro prazer físico, um desejo respeitável, mas passível de riscos. Ou pode escolher um homem da sua idade, mas, além de raros, uma vez que também querem moças mais novas, esses homens envelheceram muito pior do que elas", diz a psicóloga Lidia Aratangy. Os finais infelizes não são surpresa. O casamento de Elizabeth Taylor com o caminhoneiro Larry Fortensky, ela aos 59 anos, ele aos 39, acabou entre bebedeiras e pancadaria. O deslumbramento com a fama é de desequilibrar qualquer um. Imaginem Daniel Ducruet na primeira vez em que entrou pela porta da frente do Palácio de Mônaco, não como guarda-costas, mas como marido da princesa Stéphanie (ele foi despachado ao ser fotografado em flagrante delito com outra; ela engravidou de mais um segurança). Isolada no mundo do alto estrelato, Britney Spears não viu alternativa que não um então desconhecido dançarino de sua trupe, Kevin Federline – que esperava um filho com outra. Uma das mulheres mais cobiçadas do mundo, mesmo com toda a loucura, até hoje ela não arranjou outro namorado propriamente dito. "Nunca tive um homem que ganhasse mais do que eu", diz, realista, Ana Maria, atualmente casada com Marcelo Frisoni.

Susana: a novela verdadeira da atriz rica e bem-sucedida que foi traída em público duas vezes pelo marido 28 anos mais jovem

Autodestruição
Marcelo com Fernanda: doze horas de uso contínuo de cocaína e surto alucinatório, até a morte ao lado da jovem por quem havia largado Susana
O nome e o rosto de Susana Vieira estão gravados na memória coletiva dos brasileiros. Ela divide com algumas poucas estrelas, como Hebe Camargo e Glória Menezes, a sensação de que existem desde sempre – o que é verdade, se o marco zero da história for o começo da televisão. Aos 66 anos, tem uma característica rara: continua a ser protagonista de novelas. Se não ganha o papel principal desde o início, em algum momento ela o devora, pela capacidade de infundir uma energia tão poderosa que ofusca tudo a seu redor. A isso se chama o poder de empatia e sedução das estrelas. É por isso que o público a ama, ao contrário de colegas que se atritam com a atriz de temperamento difícil e competitivo. E é por isso que não existe mulher no Brasil que não tenha acompanhado suas aventuras na TV e suas desventuras na vida real, que culminaram com a morte do ex-marido Marcelo Vieira da Silva, que por duas vezes a traiu e humilhou em público. É um lugar-comum comparar a vida de atores às tramas mirabolantes das novelas, mas provavelmente existem poucos exemplos mais cabíveis do que a história de amor, fama, poder, deslumbramento, ascensão social, traição e escândalo que aproximou e afastou Susana e Marcelo com a força de mil sóis da paixão e o apelo abissal da autodestruição. Nessa narrativa tão antiga quanto a humanidade, Susana era o personagem principal e Marcelo aquele coadjuvante de caráter duvidoso e comportamento inconveniente que todo mundo desconfia que não vai acabar bem no final. É a lição de moral que o senso comum de justiça exige, mas que quando acontece não pode deixar ninguém feliz.
Marcelo Silva, ex-soldado da PM, morreu no vigor dos 38 anos assombrado por alucinações terríveis que o atormentaram durante as suas últimas doze horas de vida. Imaginava estar sendo seguido por um homem e passou a noite tentando encontrá-lo. Tanto os delírios quanto o infarto que provavelmente o matou foram provocados pela cocaína que cheirou sem cessar. A nóia e a overdose, no linguajar dos drogados, são fenômenos diferentes, mas se uniram para destruir Marcelo de maneira inapelável. Antes de morrer, no começo da manhã de quinta-feira, ele se jogou no banco do carro estacionado na garagem do prédio onde morava, "como se estivesse atracado com alguém", disse a namorada, Fernanda Cunha, com quem dividiu os últimos e escandalosos dias. Nos momentos derradeiros, imaginava ter finalmente agarrado o algoz imaginário, o fantasma que o perseguia. "Te peguei, te peguei", gritou, segundo Fernanda contou à polícia. Em seguida se acalmou, como se estivesse dormindo. Aliviada, a namorada voltou ao carro e se sentou ao lado dele. Marcelo estava morto. Uma moradora que havia acudido foi a primeira a perceber ao iluminar o rosto dele com uma lanterna e notar um fio de sangue correndo pela boca.

CADA VEZ MAIS JOVENS
O rosto que as câmeras adoram e está na memória coletiva: Susana no início da carreira com o primeiro marido, Régis Cardoso; com Carson, o segundo, e com Marcelo, o bonitão da Baixada que foi expulso da PM depois do primeiro escândalo de drogas e quebradeira
A morte por overdose costuma decorrer de derrame ou infarto: o sistema cardiovascular não agüenta a descarga de noradrenalina, um neurotransmissor, o mesmo responsável pela inefável sensação de euforia que vem com a coca. Mesmo em usuários acostumados, ou com físico de atleta, como Marcelo, pode acontecer o momento em que o corpo não agüenta, pelo excesso de droga ou, o que é mais raro em razão da qualidade inferior do pó distribuído no Brasil, por sua pureza incomum. "O infarto em quem usa cocaína é diferente do habitual na meia-idade, que acontece por causa do entupimento de uma artéria do coração", explica Dartiu Xavier da Silveira, professor do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e diretor-geral do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad). "No caso da cocaína, acontece um espasmo, uma contração abrupta de artérias do coração, e o sangue deixa de circular." A jornada de Marcelo rumo a esse espasmo fatal começou no início da tarde de quarta-feira, quando comprou cocaína de ex-colegas de farda num estacionamento no centro do Rio de Janeiro. Foi o que disse Fernanda, segundo o depoimento no qual ela aparece dormindo em diversos e convenientes momentos – no caso, só acordou a tempo de vê-lo conversando com dois policiais ao lado de um carro da PM. Dali, foram para o motel Shalimar, nas proximidades da favela do Vidigal.
No começo da noite, Fernanda conta ter presenciado o comportamento transtornado pela primeira vez. Ele dizia estar sendo perseguido, falava sozinho, olhava nos cantos do quarto. Chegou a imaginar que Fernanda estava "de rolo" com o tal perseguidor. Os surtos em drogados funcionam de maneira quase idêntica aos de uma doença mental como a esquizofrenia paranóide. Como nos acometidos pelo distúrbio, os delírios parecem terrivelmente verdadeiros. Às 4h30 da madrugada, segundo as contas de Fernanda, voltaram para o apart-hotel onde moravam havia um mês, na Barra da Tijuca. Enquanto dirigia, ele cheirou mais e chegou alucinado à garagem do prédio. Circulava entre as vagas, freava bruscamente, gritava. Quando parou o carro, um Polo prata, começou a revistá-lo. Só interrompeu o surto de atividades frenéticas ao se jogar, prostrado, no banco do carona. Dali não saiu vivo.
Fernanda é uma bela nutricionista de 23 anos, filha de um médico e fazendeiro de Goiânia, que foi para o Rio fazer um curso de pós-graduação, conheceu Marcelo, apaixonou-se e desencadeou o último escândalo ao usar o truque clássico – e baixo – da "outra": ligar para a mulher oficial e contar tudo, na tentativa de forçar uma ruptura. Conseguiu. Depois de uma agressão que resultou em queixa à polícia, os dois se reconciliaram, contra a vontade da família dela, que chegou a cortar a mesada da jovem. Marcelo apareceu em programas de televisão fazendo declarações incrivelmente grosseiras, mas condizentes com seu perfil de boa-praça meio destrambelhado, que fala as besteiras como lhe vêm à cabeça. Antes da reconciliação com Fernanda, disse que "ela foi muito fácil, esfregava na minha cara; se eu não chegasse, seria chamado de gay". Em relação à atriz, a crueldade foi inconsciente: "Perdi a melhor mãe que já tive" (antes) e "Agradeço tudo o que a Susana fez por mim, mas as coisas têm início, meio e fim; eu e Fernanda estamos felizes" (depois). Nos bastidores, parecia desnorteado e dividido entre Susana, de quem parecia gostar de verdade, e Fernanda, com quem fazia planos de casar e ter filhos. Estava montando um negócio de transporte para executivos. Há duas semanas, embarcou com a namorada numa viagem de navio de Santos ao Rio, num encontro promovido pelo grupo Narcóticos Anônimos – uma incrível ironia, considerando-se que, quando estava com Susana Vieira, mentia que ia a reuniões do gênero para se encontrar com a outra. "Nunca aprovamos a união deles, mas era um ser humano que estava com nossa filha", diz a mãe de Fernanda, a psicóloga Terezinha Cunha. "Fernanda deu sorte de não ter sido morta por ele durante o surto", afirma o irmão dela, Cristiano.

DUAS CARAS
Mesma praia, mulheres diferentes: Marcelo com Susana, em agosto, e com Fernanda, em novembro; enquanto o caso foi clandestino, ele dizia que ia às reuniões dos Narcóticos Anônimos para se encontrar com a outra
Susana Vieira estreou na nascente televisão brasileira em 1963. Tinha o tipo de rosto que as câmeras adoram, mas ainda estava no fundo da tela – era contratada da TV Tupi para dançar durante a apresentação de cantores. Lá conheceu o primeiro marido, o diretor Régis Cardoso, falecido em 2005. Teve com ele o filho único, empresário que mora em Miami. Eram tempos ainda ingênuos quando fez o primeiro papel importante, o da babá malvada na novela Anjo Mau, da Globo. Num processo incomum, ela foi ganhando mais destaque com o tempo, que sempre pareceu desmentir com a aparência jovial (ajudada pelas plásticas de costume) e o temperamento desafiador. O segundo marido e o primeiro mais novo foi Carson Gardeazabal. Casou-se com ele em 1986, enfrentou uma temporada de escândalos quando ele foi acusado de duplo homicídio e se separou em 2003. A diferença de dezesseis anos saltou para 28 em 2006, quando ela conheceu Marcelo Silva, um típico bonitão da Baixada, de olhos verdes, corpo sarado e um incontornável fraco por mulheres. O primeiro encontro foi num ensaio da escola de samba Acadêmicos da Grande Rio, onde ela era a madrinha de bateria e ele fazia bico como segurança. Em duas semanas, Marcelo se mudou de Nilópolis para a casa dela, na Barra. Em três meses, anunciaram o casamento.
É impossível que uma mulher como Susana não soubesse das trocas presentes nesse tipo de relação, mesmo se sentindo desejada e amada de verdade, como testemunham amigos que acompanharam o envolvimento. E é impossível que ele não se deslumbrasse com a nova vida, de súbita notoriedade e múltiplas benesses. "Ela pegou um cara do subúrbio, trouxe para a Barra da Tijuca, deu a ele uma vida deslumbrante, algo meio Disney, e depois tirou. Ele não tinha base e pirou", descreve, sem meias palavras, uma pessoa que conheceu os dois. Na verdade, mais do que a falta de base era o excesso de pó que conturbava a vida de Marcelo. Quando conheceu Susana, ele tinha saído de um tratamento para se livrar da dependência química. A atriz, que como uma pessoa de seu tempo e de seu meio não ignorava o assunto, oscilava entre a irritação e o desejo de ajudar. Procurou assistência psiquiátrica para o marido. "Ele tinha um comportamento autodestrutivo, e os riscos de recaída eram visíveis", descreve a psiquiatra Magda Vaissman, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que cuidou de Marcelo durante três meses. "Ele era fascinado pela exposição em que vivia, pelo espetáculo. O que aconteceu foi uma tragédia, causada por uma doença difícil e traiçoeira." Foi a médica quem recomendou a internação numa clínica de recuperação depois do primeiro e humilhante escândalo em que Marcelo se envolveu: o quebra-quebra num motel onde se drogava em companhia de uma garota de programa. Com grande estardalhaço, como tudo o que faziam – e, quando não havia fotógrafos por perto, ele os chamava –, Marcelo e Susana se reconciliaram. Como prova de amor, ele gravou o rosto da atriz numa enorme tatuagem sobre as costelas.
Os probos e sérios riram-se do mau gosto dele e do pouco juízo dela. Os que já passaram pelo teste da paixão – fazer uma coisa que normalmente a pessoa não faria, e sabendo que vai dar errado – preferiram não julgar, ou pelo menos entender que esse é um campo onde a irracionalidade vence, sempre. A mais conhecida história ficcional de paixão de uma mulher mais velha por um homem mais jovem é o filme Crepúsculo dos Deuses, ou Sunset Boulevard, no título original. Numa cena venerada pelos amantes do cinema, a fita começa com um corpo boiando na piscina e um narrador contando como ele foi parar lá – um roteirista endividado se refugia no jardim de uma estrela decadente e não é preciso nem falar mais nada para saber o que acontece. Como tudo com mais de cinqüenta anos na cultura contemporânea, o filme de 1950 virou um clássico pela pura passagem do tempo – sem desmerecer suas maravilhosas qualidades. É possível que em menos tempo as reviravoltas e os dramas na vida de Susana se tornem um clássico. "Susana Vieira tem uma grande e rara comunicação com o público porque é muito forte e corajosa como mulher e como intérprete", diz o autor Silvio de Abreu. "O público vai sempre acompanhar seus trabalhos porque, como na vida real, Susana é muito sincera consigo mesma e não tem medo de expor suas fraquezas ou suas virtudes." Difícil pensar em personagem melhor para uma novela.

Quando a notícia da morte de Marcelo Silva chegou, todos se lembraram da invectiva da apresentadora Ana Maria Braga, antes da tragédia: "Se você desaparecesse da face da Terra agora, seria uma coisa maravilhosa para todo mundo". E todo mundo pensou nas similitudes. Como Susana, Ana Maria é uma mulher famosa e poderosa que vem se casando sucessivamente com homens alguns anos mais jovens e muitos milhões menos ricos. Em qualquer faixa etária, as mulheres de grande projeção enfrentam problemas para encontrar parceiros – os sensíveis egos masculinos não suportam a comparação. A partir de determinada idade, o difícil vira impossível. "Ela pode escolher um mais jovem pelo puro prazer físico, um desejo respeitável, mas passível de riscos. Ou pode escolher um homem da sua idade, mas, além de raros, uma vez que também querem moças mais novas, esses homens envelheceram muito pior do que elas", diz a psicóloga Lidia Aratangy. Os finais infelizes não são surpresa. O casamento de Elizabeth Taylor com o caminhoneiro Larry Fortensky, ela aos 59 anos, ele aos 39, acabou entre bebedeiras e pancadaria. O deslumbramento com a fama é de desequilibrar qualquer um. Imaginem Daniel Ducruet na primeira vez em que entrou pela porta da frente do Palácio de Mônaco, não como guarda-costas, mas como marido da princesa Stéphanie (ele foi despachado ao ser fotografado em flagrante delito com outra; ela engravidou de mais um segurança). Isolada no mundo do alto estrelato, Britney Spears não viu alternativa que não um então desconhecido dançarino de sua trupe, Kevin Federline – que esperava um filho com outra. Uma das mulheres mais cobiçadas do mundo, mesmo com toda a loucura, até hoje ela não arranjou outro namorado propriamente dito. "Nunca tive um homem que ganhasse mais do que eu", diz, realista, Ana Maria, atualmente casada com Marcelo Frisoni.
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